• Daniel Moreira

Restrições alimentares: sem leite, sem glúten, mas com muito sabor!

Atualizado: Mar 17

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1% da população mundial é celíaca (uma das restrições alimentares, relacionada a glúten). No Brasil, de acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), a doença acomete dois milhões de pessoas. Há também estimativas que apontam que até 40% da população brasileira adulta é intolerante à lactose e 18% são alérgicos à proteína do leite.


Como isso se apresenta no mercado?


Embora essas restrições alimentares existam há anos, o boom do mercado especializado nesse nicho é recente. E o principal desafio é mostrar que é possível fazer pratos saborosos, sem glúten e derivados do leite. Pioneira na área, Simone Ribeiro, nutricionista e sócia da Essência de Baunilha, fundou a empresa em 2007.


Ela conta: “Quando meu segundo filho nasceu, apresentou alergia à proteína do leite de vaca. Naquela época, nos deparamos com um mercado sem opções. Diante desse cenário, uma colega começou a testar produtos para o nosso consumo”.


Simone explica que a ideia inicial era focar no desenvolvimento de produtos para lojas e mercados. Porém, com a demanda cada vez maior, o foco da empresa mudou. “Hoje, produzimos para outras lojas e supermercados e também oferecemos produtos frescos como pães, bolos e biscoitos.


Todos os alimentos são 100% livres de glúten, lactose (açúcar do leite de vaca) e caseína (proteína do leite de vaca). Também oferecemos opções livres de soja, ovo, açúcares e opções veganas”, conta.


Além do público que convive com restrições alimentares devido à problemas de saúde, muitos dos clientes da Essência de Baunilha não são celíacos ou alérgicos: “Eles buscam nossos produtos por apreciarem o sabor e para optar por opções mais saudáveis de consumo”.


Lait de Riz também participa da inclusão


Esse também é o perfil dos clientes do Lait de Riz, restaurante que oferece opções sem glúten e sem lactose no cardápio. “Nosso propósito é trazer pessoas com restrições alimentares e mostrar para o consumidor comum que é uma comida gostosa. Apesar de não ter glúten ou lácteo, os pratos são muito saborosos”, ressalta Marina Dedekind, sócia do Lait de Riz.


Marina também é nutricionista e, assim como Simone, sofreu com a falta de opções na cidade após o nascimento da filha: “Precisei retirar todo o glúten da nossa alimentação, pois havia suspeita de alergia e o valor dos produtos era muito caro. Acredito que seja muito interessante mostrar que agora existem opções acessíveis”.


O Lait de Riz segue o conceito de bistrô e serve pratos feitos na hora, doces e salgados. Tudo isso em um ambiente livre de contaminação. "Oferecemos um ambiente seguro para quem tem restrições alimentares. Ouço muito que o restaurante 'parece ser caro'. Esse é o nosso maior obstáculo: mostrar que cobramos um preço justo por uma comida saborosa", conta Marina.


Para Simone, o principal desafio é deixar o cliente seguro e fidelizá-lo. “Essa é uma área que atrai olhares de muitos empreendedores, por ter uma demanda crescente. Muitas pessoas se arriscam nesse ramo, oferecendo aos clientes novas opções e sabores. O desafio é fazê-los retornar. Para isso é necessária inovação, novos produtos e novas apresentações”, observa.


Apesar de ser um mercado em expansão, ela ressalta que ainda há poucos incentivos para quem empreende na área: "Não recebemos incentivos tributários ou de qualquer outra natureza, apesar de estarmos trabalhando para melhoria da saúde das pessoas. O que nos mantêm no mercado é o incentivo de clientes e parceiros que reconhecem nossos diferenciais e apreciam nossos alimentos”.



Entenda as diferenças entre as restrições alimentares!


  • Doença celíaca

A doença celíaca é uma doença autoimune, ou seja, as próprias células de defesa imunológica agridem as células do organismo, causando um processo inflamatório. Na doença celíaca, a inflamação é provocada pelo glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio. Esse processo inflamatório, que no caso ocorre na parede interna do intestino delgado, leva à atrofia das vilosidades intestinais, gerando diminuição da absorção dos nutrientes.


  • Intolerância à lactose

Intolerância à lactose é o nome que se dá à incapacidade parcial ou completa de digerir o açúcar existente no leite e seus derivados. Ela ocorre quando o organismo não produz, ou produz em quantidade insuficiente, uma enzima digestiva chamada lactase, que quebra e decompõe a lactose, ou seja, o açúcar do leite.


  • Alergia à proteína do leite

A APLV é um tipo de alergia ao leite na qual o sistema imunológico do bebê responde às proteínas encontradas no leite de vaca, fazendo com que ele apresente sintomas alérgicos. Estes podem incluir problemas com a pele (erupção cutânea, urticária, pele seca, escamosa ou coceira), sistema digestivo (diarreia, vômitos, constipação e refluxo) e sistema respiratório (respiração barulhenta, tosse, corrimento nasal). Geralmente a APLV ocorre antes do primeiro ano do bebê.

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