| 24/01/11 - Pequenas empresas: Nem tão simples assim |
Pequenas empresas: Nem tão simples assim A empresa de Shozo Sugo Jr. faturou R$ 2 milhões em 2010. Mas o crescimento do restaurante Sushi Roots virou motivo de preocupação para o empresário de 30 anos, que montou o negócio na Capital há três anos. A empresa está cadastrada no Simples Nacional, programa que oferece benefÃcios para negócios com faturamento anual de até R$ 2,4 milhões. O projeto que previa o reajuste para R$ 3,6 milhões por ano deveria ter sido votado pelo Congresso no final de 2010, mas saiu da pauta e aguarda o fim do recesso para ser avaliado pelos novos parlamentares. Santa Catarina é o sétimo Estado em participação no programa, com 206,6 mil empresas. Para elas, romper o limite de faturamento significa pagar uma maior fatia de impostos. Cálculo do escritório Seecon Contadores mostra um exemplo. Um comércio que também presta serviços e faturou R$ 1,9 milhão em um ano, pagaria cerca de R$ 150 mil em impostos no mesmo perÃodo, pelo modelo padrão do Simples. Se enquadrado entre as grandes, pagaria R$ 240 mil em impostos pelo cálculo de lucro presumido e quase R$ 335 mil pelo cálculo de lucro real. Ou seja, a economia pode passar dos R$ 180 mil. A justificativa oficial é de que o Simples é para quem está começando. Depois de consolidada, a empresa deve caminhar com as próprias pernas e pagar mais imposto. Mas para empresários como Shozo, trata-se de um desestÃmulo ao crescimento. "Abri uma filial, mas teria sido melhor abrir outra empresa. Pago quase R$ 20 mil por mês em impostos. Falta vontade polÃtica para rever a questão do Simples" reclama o empresário. Projeto segue em caráter de urgência O deputado Cláudio Vignatti, um dos autores do projeto que prevê mudanças no Simples, diz que a proposta segue tramitando em caráter de urgência. Vignatti não se reelegeu e defende que é preciso uma mobilização para cobrar que os novos deputados recoloquem o tema na pauta. Ele diz que a pressão contrária ao projeto, do Conselho Nacional de PolÃtica Fazendária, pesou contra a votação das mudanças no ano passado. O projeto foi apresentado no final de novembro e, para entrar em vigor no inÃcio deste ano, precisaria ter sido votado até o dia 10 de dezembro. "É um projeto urgente. As micro e pequenas são 99% das empresas brasileiras e respondem por 20% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. As empresas que integram o 1% restante respondem pelos outros 80% do PIB. É preciso mexer nisso - avalia, lembrando que o teto do Simples está há mais de quatro anos sem correção. Mais da metade já faz parte em SC Santa Catarina tem hoje cerca de 360 mil micros e pequenas empresas - 57% enquadradas no sistema tributário do Simples Nacional. Para o presidente da Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas de SC (Fampesc), Márcio Manoel da Silveira, a correção do teto de faturamento para adesão ao programa seria um importante incentivo para elevar essa participação, além de garantir a permanência das atuais empresas neste regime tributário. -Muitos empresários relataram que deixam de faturar em dezembro para não perderem o enquadramento. Parece absurdo, mas alguns não encontram outra saÃda - destaca. Ele diz que as micro e pequenas representam 96% das empresas constituÃdas em Santa Catarina e respondem por cerca de 68% da geração de empregos. No ano passado, de janeiro a novembro, o setor gerou 90 mil empregos no Estado. Silveira lembra que existia um acordo com o governo e Congresso para votar um projeto substitutivo, retirando os pontos mais polêmicos e votando os mais urgentes - como a revisão da tabela de faturamento. "Acompanhamos de perto e estávamos lá em BrasÃlia, quando, apesar dos nossos protestos, o lÃder do governo solicitou a retirada do projeto da pauta de votação. Apelamos para a bancada catarinense e os lÃderes dos partidos, mas, apesar dos esforços, a matéria não foi votada e condenou as empresas. Para nós, o governo deu um tiro no pé" avalia. Apesar da votação não ter ocorrido no ano passado, como esperado, o diretor de assuntos tributários da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif), Klaus Raupp, acredita em uma resposta do governo federal em curto prazo. "Existe a intenção de se manter o esforço para a aprovação do projeto com as mudanças ainda no primeiro trimestre de 2011" destaca Raupp. Mas o tributarista defende que a mobilização do empresariado brasileiro é mais do que fundamental, atuando sobre os parlamentares. Em busca de incentivos -4,44 milhões de empresas estão cadastradas no Simples Nacional -206,6 mil empresas catarinenses As principais mudanças em debate 1-Eleva o teto da receita bruta anual das micro empresas de R$ 240 mil para R$ 360 mil. 2-Para a pequena empresa, o teto sobe dos atuais R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões. 3-O limite da receita bruta anual para a formalização do Empreendedor Individual 4-Este sistema vem sendo adotado por quase todos os estados brasileiros para diminuir a sonegação fiscal. Através da substituição tributária, o governo deixa de recolher o ICMS do comerciante e passa a cobrá-lo do fabricante ou do distribuidor. 5-Criação do sistema chamado Simples Rural, equiparando, por exemplo, os produtores rurais de pequeno porte aos pequenos negócios urbanos para os efeitos da lei da pequena empresa nacional, incluindo o acesso à s compras governamentais. Cria a figura do trabalhador rural avulso - aquele que presta serviço a produtor rural por até 120 dias por ano, sem vÃnculo empregatÃcio. 6-Inclui novas categorias econômicas no Simples Nacional, como destilarias de aguardentes artesanais e empresas do setor de serviços que ainda estão fora do regime tributário diferenciado. Essa categoria ficará numa nova tabela de tributação, vantajosa para empresas que tenham pelo menos 40% da sua receita comprometida com a folha de pagamento. *Os textos aqui apresentados são extraÃdos das fontes citadas em cada matéria, cabendo à s fontes apresentadas o crédito pelas mesmas. Fonte: Diário Catarinense |









