11/01/11 - Barreiras para os negócios

 

 

Barreiras para os negócios


É difícil a vida de quem quer abrir um negócio no Brasil, ainda mais quando se trata de um micro ou pequeno estabelecimento. Faltam apoio e qualificação. Sobram impostos e burocracia. Essas são as principais reclamações de quem se arrisca a empreender no país. Números do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) dão o tom do imbróglio. A cada 100 empresas que abrem as portas no Brasil, 58 fecham antes de completar cinco anos de existência e 27 não chegam nem ao primeiro aniversário. Toda essa maré contra prejudica, justamente, a fatia maior das empresas e a que mais emprega. No Espírito Santo, 99,08% dos negócios, 110.613, são micro ou pequenos. Eles são responsáveis por 312.765 postos de trabalho no Estado, 58,8% do total gerado pelas firmas privadas.

Medidas como a Lei Geral, que visa a reduzir o peso dos impostos em cima dos pequenos, e a Central Fácil, com a intenção de facilitar a abertura do negócio, ajudam, mas os problemas ainda estão longe de uma solução definitiva. Até mesmo o que vem para ser a solução - casos de Lei Geral e Central Fácil - acaba se perdendo no meio da gigantesca burocracia estatal. "A Lei Geral é um avanço, mas não funciona em todos os lugares. Muita coisa ainda é ignorada pelos próprios órgãos públicos. No caso da Central Fácil, houve o avanço de ter todos os órgãos que participam do registro de uma empresa num só lugar, mas o problema é que os atrasos permanecem. Apesar de estarem todos num só lugar, os entraves internos são os mesmos e as autorizações acabam não saindo", critica o presidente da Federação das Entidades de Micro e Pequenas Empresas (Femicro) no Espírito Santo, Pedro Rigo.

Segundo ele, chega-se ao cúmulo de o empresário esperar mais de um ano para ver seu negócio regularizado. "Se você for, por exemplo, fabricar artefato de fibra de vidro, será preciso um licenciamento ambiental. Já vi processos como esse demorarem mais de um ano. Uma grande empresa tem condições de esperar. O pequeno não, ele quebra. Ou quebra, ou vai para a informalidade. Os órgãos públicos são lentos, comportam-se como os todo poderosos e não enxergam as necessidades do outro lado do processo", dispara o presidente da Femicro. Dênis Pedro Nunes, analista técnico do Sebrae, faz análise parecida com a de Pedro Rigo. "A carga tributária, apesar do Simples, ainda é muito pesada. A reclamação é geral por parte dos micro e pequenos. Além disso, temos os encargos trabalhistas, que também não aliviam nem um pouco, e uma burocracia enorme. O que vemos hoje é uma quantidade muito grande de potenciais empreendedores que, por conta dessa quantidade enorme de entraves, não se veem incentivados a abrir o próprio negócio. Além do risco normal que todo investimento impõe, muita coisa está aí só para atrapalhar", sublinha Nunes.

Falta de qualificação também atrapalha

A falta de qualificação do empresariado também tem sua parcela de culpa na alta taxa de mortalidade das micro e pequenas do Brasil. Ainda hoje, são muitos os empresários que constituem empresas sem ter capacidade para fazer uma análise de mercado ou um bom levantamento de custos. O êxito, destacam os especialistas, não depende só de conhecimento técnico ou administrativo, é preciso, também, saber planejar. Para Pedro Rigo, da Femicro, o poder público deve assumir a responsabilidade de capitanear um grande processo de qualificação. "Precisamos de políticas mais agressivas, nosso mercado é muito promissor, veja esse imenso mercado de óleo e gás que se abre no Espírito Santo. Sem a devida qualificação, muitas vezes o empresário se vê com medo de avançar ou, pior, acaba engolido pela concorrência de fora e quebrando". O presidente da Femicro se diz convencido da necessidade de os governos priorizarem políticas públicas de apoio às micro e pequenas empresas com mais estrutura e verbas.

O que já melhorou

Lei geral

Estabelece um regime tributário diferenciado, conhecido como Supersimples, para micro e pequenas empresas que faturam até R$ 2,4 milhões por ano. As alíquotas variam de acordo com o faturamento. Já há um projeto tramitando no Congresso que pede o reajuste de 50% dos valores. Após um 2010 de forte crescimento, até 600 mil micro e pequenas podem ser excluídas do Supersimples por extrapolarem os valores. A lei simplifica o processo de abertura das empresas e dá a elas preferência na participação de licitações públicas.

Central Fácil

Integra os órgãos que participam do registro de uma empresa, fazendo com que as informações trafeguem, de um para outro, em meio digital, o que oferece rapidez no envio das informações e segurança para os dados coletados. O empreendedor pode acompanhar, pela internet, o andamento do seu processo em todos os órgãos por onde passa, agindo de pronto no caso da existência de alguma pendência.

Financiamento

O BNDES desembolsou o volume recorde de R$ 41,1 bilhões para micro, pequenas e médias empresas entre janeiro e novembro de 2010. O volume desembolsado para as MPMEs cresceu 100% frente a igual período do ano passado. Os R$ 41,1 bi foram desembolsados em 501,3 mil operações, outro número recorde.

MORTALIDADE DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

58% fecham as portas antes de completar cinco anos
27% quebram nos primeiros 12 meses
84 mil empresas fecham anualmente no Brasil. Isso representa 348 mil ocupações a menos e uma perda de faturamento da ordem de R$ 18,2 bilhões

PORQUE FECHAM

29% falta de clientes
21% falta de capital
7% burocracia e impostos
5% concorrência

OUTROS MOTIVOS APONTADOS

Insuficiência de políticas públicas de apoio aos pequenos negócios
Os altos encargos trabalhistas
Difícil acesso aos financiamentos
Ausência de comportamento empreendedor e planejamento prévio adequado por parte do empresário
Deficiências no processo de gestão empresarial
Dificuldades econômicas e os impactos de problemas pessoais sobre o negócio

A FORÇA DOS PEQUENOS NO ESPÍRITO SANTO

Dos 118.832 estabelecimentos do Estado em 2009, 110.613 eram micro e 7.135 pequenos
Ou seja, 99,08% das empresas capixabas são micro ou pequenas
Elas são responsáveis pela geração de 312.765 empregos no Estado
Fontes: Sebrae-ES, Sebrae-SP e Femicro-ES

Fonte: Gazeta on line/ES
 
 

 

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